Pix pode atravessar as fronteiras: Brasil e Europa estudam conexão dos sistemas de pagamentos

Banco Central do Brasil e Banco Central Europeu estudam conectar o Pix ao sistema europeu de pagamentos instantâneos, abrindo caminho para transferências internacionais mais rápidas.

O Pix pode ganhar uma dimensão internacional. O Banco Central do Brasil e o Banco Central Europeu estudam a possibilidade de conectar os sistemas de pagamentos instantâneos dos dois blocos, o que poderia permitir operações entre Brasil e Europa de forma mais rápida e integrada.

O Pix pode estar prestes a dar um dos passos mais importantes desde sua criação: ultrapassar as fronteiras brasileiras.

O Banco Central do Brasil e o Banco Central Europeu estão estudando a possibilidade de conectar o Pix ao TIPS (TARGET Instant Payment Settlement), sistema europeu utilizado para pagamentos instantâneos.

Se o projeto avançar, a integração poderá representar uma nova etapa para o sistema criado pelo Banco Central brasileiro em 2020.

O que está sendo estudado?

As autoridades monetárias dos dois lados estão avaliando a viabilidade de conectar suas respectivas infraestruturas de pagamentos instantâneos.

No Brasil, o sistema é baseado no Pix. Na Europa, uma das principais infraestruturas utilizadas para pagamentos instantâneos é o TIPS.

A ideia de uma integração permitiria que pagamentos entre os dois mercados fossem processados de maneira mais rápida e potencialmente com custos menores do que os mecanismos tradicionais de transferências internacionais.

Um possível projeto-piloto em 2028

As conversas ainda estão em fase de estudos e avaliação técnica.

Caso os trabalhos avancem, um projeto-piloto poderá ser desenvolvido em 2028.

Isso significa que não existe ainda uma integração operacional entre o Pix e o sistema europeu. O projeto depende de questões técnicas, regulatórias, cambiais e de segurança que precisam ser solucionadas antes de uma eventual implementação.

Por que isso é importante para o brasileiro?

Uma eventual integração poderia facilitar pagamentos de brasileiros para empresas e pessoas na Europa.

Imagine, por exemplo, um brasileiro realizando uma compra de um pequeno comerciante europeu ou pagando por um serviço internacional utilizando uma infraestrutura semelhante àquela que já utiliza diariamente no Brasil.

Para empresas brasileiras, uma rede internacional de pagamentos instantâneos também poderia reduzir algumas barreiras existentes nas operações internacionais.

Estudantes, turistas, trabalhadores remotos, empresas de comércio exterior e consumidores poderiam estar entre os grupos potencialmente beneficiados.

O Pix já mudou o sistema brasileiro

Desde seu lançamento em novembro de 2020, o Pix transformou a forma como milhões de brasileiros realizam pagamentos e transferências.

O sistema permite transferências praticamente instantâneas e se tornou uma das principais infraestruturas de pagamentos do país.

Dados do Banco Central mostram a dimensão alcançada pelo sistema. Em setembro de 2025, por exemplo, foram registrados cerca de 5,4 bilhões de transações Pix, movimentando aproximadamente R$ 1,7 trilhão.

O crescimento fez com que o modelo brasileiro passasse a chamar a atenção de outros países e instituições internacionais.

O que muda se o Pix se tornar internacional?

Uma eventual expansão internacional poderia transformar o Pix de um sistema predominantemente doméstico em uma infraestrutura com capacidade de conexão com outras redes de pagamentos.

Isso abriria espaço para novos serviços financeiros.

Bancos e fintechs poderiam desenvolver soluções para pagamentos internacionais instantâneos, enquanto empresas poderiam utilizar novas formas de cobrança e recebimento.

Também poderia surgir uma nova geração de aplicativos capazes de fazer conversões cambiais e pagamentos internacionais praticamente em tempo real.

O desafio do câmbio

Apesar de parecer simples para o usuário, uma conexão entre sistemas de pagamentos de países diferentes envolve um problema importante: câmbio.

O Pix utiliza o real, enquanto os países da zona do euro utilizam o euro.

Uma operação internacional precisaria definir como será feita a conversão entre as moedas, quais instituições ficarão responsáveis pela liquidação e como serão calculadas as taxas aplicadas aos usuários.

Por isso, conectar os sistemas de pagamento é apenas uma parte do desafio.

Segurança será fundamental

Outro ponto importante será a segurança.

Uma infraestrutura internacional movimentaria valores entre diferentes jurisdições e precisaria cumprir regras relacionadas a prevenção de fraudes, lavagem de dinheiro, identificação de usuários e proteção contra ataques cibernéticos.

O crescimento internacional também aumentaria a importância da capacidade dos sistemas de detectar transações suspeitas em tempo real.

O Pix pode competir com sistemas tradicionais?

Uma expansão internacional do Pix poderia aumentar a pressão sobre modelos tradicionais de pagamentos e transferências internacionais.

Atualmente, operações entre países frequentemente envolvem bancos intermediários, sistemas de compensação e diferentes etapas de processamento.

Uma infraestrutura baseada em pagamentos instantâneos poderia reduzir parte dessa complexidade em determinadas operações.

Isso não significa que o Pix substituiria imediatamente sistemas tradicionais. A tendência mais provável seria a coexistência entre diferentes infraestruturas.

Uma mudança que pode ir além da Europa

A eventual conexão com a Europa também poderia servir como modelo para futuras integrações com outros países.

O Banco Central brasileiro já demonstrou interesse em ampliar a cooperação internacional relacionada ao Pix e mantém acordos de troca de informações com diversos países.

Se uma conexão com o sistema europeu for implementada com sucesso, outras economias poderão avaliar modelos semelhantes.

Um possível novo cenário para o sistema financeiro

Existe um cenário em que sistemas de pagamentos instantâneos nacionais passam a funcionar como partes de uma grande rede internacional.

Nesse modelo, o usuário não precisaria necessariamente conhecer toda a infraestrutura por trás da operação. Bastaria realizar um pagamento pelo aplicativo do banco ou fintech, enquanto os sistemas fariam automaticamente a comunicação entre os países.

Isso poderia reduzir o tempo necessário para determinadas transferências internacionais e criar novas oportunidades para empresas de tecnologia financeira.

Brasil pode ganhar relevância tecnológica

A expansão internacional do Pix também representa uma oportunidade estratégica para o Brasil.

O país poderia deixar de ser apenas consumidor de tecnologias financeiras desenvolvidas no exterior e passar a exportar uma infraestrutura criada internamente.

Esse movimento poderia fortalecer empresas brasileiras de tecnologia financeira e aumentar o interesse internacional pelo modelo desenvolvido pelo Banco Central.

O que acompanhar nos próximos anos?

Os próximos passos dependerão dos estudos realizados pelo Banco Central do Brasil e pelo Banco Central Europeu.

Será necessário acompanhar questões como segurança, regulamentação, câmbio, custos, identificação dos usuários e modelo de liquidação das operações.

Também será importante observar se outros países demonstrarão interesse em conectar seus sistemas de pagamentos ao modelo brasileiro.

O futuro pode ser de pagamentos sem fronteiras

A possível conexão entre Pix e TIPS representa mais do que uma simples novidade tecnológica.

Ela pode fazer parte de uma transformação maior no sistema financeiro internacional, na qual pagamentos instantâneos passam a ocupar um espaço cada vez maior.

Se esse modelo funcionar, o brasileiro poderá, nos próximos anos, utilizar uma infraestrutura que começou como uma solução doméstica para realizar operações cada vez mais internacionais.

O projeto ainda está em fase de estudos, mas o movimento mostra que o Pix pode estar entrando em uma nova etapa de sua história.

Fonte: Reuters / Banco Central do Brasil
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